Pelo menos 46 cidades no
Brasil terão eleições onde só mulheres concorrem à prefeitura - na eleição de
2008, eram 32.
Regina Ramos da Silva ficou
surpresa ao descobrir que iria disputar com outra mulher a prefeitura de
Joaquim Pires, cidade de 13 mil habitantes no interior do Piauí. "Depois
que anunciei minha candidatura, a oposição também escolheu uma mulher. Acho que
é porque mulher na prefeitura é algo novo e o pessoal sempre se empolga com
novidade", diz a candidata do PT, que concorre com Cintia Ramos da Cunha,
do PMDB.
Além de Joaquim Pires, ao
menos outras 45 cidades no Brasil terão eleições onde só mulheres concorrem à
prefeitura - na eleição de 2008, eram 32. Esse tipo de disputa ilustra bem um
novo cenário na política brasileira: a participação feminina nas eleições
municipais cresceu 85% em relação à votação de 2008.
Na eleição que marca os 80
anos do voto feminino no Brasil, a participação das mulheres cresceu, de um
lado, devido a uma nova lei de cotas e, de outro, por um cenário favorável que
envolve a eleição de Dilma Roussef, a primeira presidente do país.
COTAS
Criada em 1995, a Lei de
Cotas de Gênero sofreu uma alteração em 2009 e agora obriga os partidos a ter
um mínimo de 30% de mulheres em suas chapas parlamentares. Antes, a legislação
obrigava as legendas a "reservar" as vagas, enquanto agora é preciso
"preenchê-las".
"A alteração pode
parecer pequena, mas a troca do verbo significou uma mudança no sentido de
forçar os partidos a dar maiores oportunidades para as mulheres", afirma o
demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, professor de Estudos Populacionais e
Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE. "O
ideal seria a paridade de gênero, mas diante do baixo número de candidatas, a
mudança já representa um avanço, mesmo que limitado. O resultado já pode ser
visto nos números de candidaturas."
NOVO CENÁRIO
Além da lei de cotas, uma
nova realidade do país também vem contribuindo para a ascensão das mulheres na
política. A eleição de Dilma e o fato da então candidata Marina Silva (PV) ter
obtido quase 20% dos votos no primeiro turno impulsionaram esse novo cenário.
"Depois que a Dilma foi eleita, as mulheres se encorajaram mais e a
sociedade passou a nos enxergar com outros olhos", afirma Jalmira Maria
Silva Ghanem (PT). Ela é candidata à prefeitura de Montividiu (GO), onde suas
duas concorrentes também são mulheres.
O cientista político Milton
Lahuerta, que é coordenador do Laboratório de Política e governo da Unesp,
acredita, porém, que esse é um processo mais profundo, que começa bem antes da
eleição de Dilma. "A afirmação da mulher no Brasil, que começou com a
revolução cultural dos anos 70, já ocorre em áreas como o mercado de trabalho,
com grandes empresas sendo chefiadas por mulheres, e agora finalmente chega à
política."
MUNDO
Apesar do avanço, a
participação feminina na política ainda é tímida se comparada a outros países
mundo afora. O demógrafo José Eustáquio lembra que o Brasil ocupa um dos
últimos lugares em um ranking de paridade de gênero, compilado pela
Inter-Parliamentary Union, uma organização que reúne representantes de
parlamentos em todo o mundo e que ocupa o cargo de observador permanente da
ONU.
Com 52% do eleitorado
formado por mulheres, o Brasil possui apenas 9% de deputadas federais, um média
bem inferior ao percentual mundial (20,3%). No topo do ranking organizado pela
organização estão Ruanda em primeiro lugar, com 56,3% (único país com maioria
feminina na política), seguindo de Andorra (50%), Cuba (45,2%) e Suécia
(44,7%).
No final da lista, junto com
o Brasil (120º) estão países como Panamá (121º), Benin (122º) e Gana (123º).
Arábia Saudita e Catar estão na última posição (144º). No senado, são apenas 10
mulheres entra 81 membros, ou seja, 12% - contra, por exemplo, 38% na
Argentina. Entre os vereadores, após a eleição de 2008, o total de mulheres
chegou a 12,5% e entre os prefeitos, apenas 10%.
Da Redação do O Estado
ONLINE
Fonte: BBC Brasil
Visto no Jornal O Estado
Online

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