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sábado, 7 de abril de 2012

Por sob a pele que reveste o mítico


As narrativas de ficção científica sempre palmilharam as grandes interrogações do ser humano
Antes mesmo que o ano de 2012 se anunciasse em sua plenitude, já houve quem pusesse em revelo uma dentre tantas as previsões que especulam o fim do mundo e, consequentemente, a extinção de nossa inteligente espécie; então, o apocalipse da vez remetia a um suposto calendário Maia que apontava o ano de 2012 como o da grande catástrofe a colocar um fim em nosso percurso na Terra.

O caminho
Brian D´Amato, também reconhecido como artista plástico, bastante antenado com as novas explorações das possibilidades de expressão em nossa contemporaneidade, fez sua estreia com o romance "Beleza", em 1992, e, agora, nos traz "2912: nas cortes do sol", numa clara referência à previsão maia de que o fim do mundo ocorrerá aos 21 de dezembro de 2012.
No entanto, deixando de lado o esoterismo ou mesmo os expedientes sensacionalistas, opta por orientar-se pelos caminhos da ficção científica, servindo-se dos inúmeros elementos que tornaram esse gênero tão apreciado ao longo dos tempos.
A trama
O protagonista dessa trama, Jed DeLanda, é, em verdade, um exímio matemático, e, antes de tudo, dedica-se ao desenvolvimento de jogos de estratégia, a que atrela ao conhecimento de um ritual místico da cultura maia: o "Jogo do Sacrifício". Isto porque, através dessa prática ritualística, os maios lançavam o olhar por sobre os acontecimentos futuros e saberiam sua natureza.
A personagem Jed, nessa aventura, tem a orientação de um mentor, Taro Mora; nesse sentido, é através desse preceptor que ele, Jed, conhecerá Marena Park - esta, também, projetista de jogos - que lhe revela uma surpresa ainda maior: a da existência de um códice que traz em seu bojo uma profecia ainda mais lancinante e inimaginável.
O foco
A escolha do ponto de vista interno, isto é, da primeira pessoa, estreitando o mundo do leitor e o das personagens, além de acentuar uma tonalidade confessional, despe o narrador de qualquer onisciência, ou seja, nada sabe sobre as pessoas que o cercam ou sobre os acontecimentos por vir, contribuindo, assim, para que os acontecimentos misteriosos, as ações de suspense, inscrevam-se, mais marcadamente, na pelo do texto.

Outros aspectos
Para que a trama possa ser construída de modo a ser naturalmente aceita pela verdade do mundo do leitor, o mentor do protagonista, Taro Mora, coordena uma equipe de cientistas, especificando-lhe as ações, para que, enfim, reúnam seus conhecimentos para que se torne possível a viagem de Jed através das inefáveis ondas do tempo. É preciso, pois, que ele se dirija ao ano de 664 d.C.
Os mecanismos
Não há, para tal empreitada, o recurso de qualquer engenhoca, dentre tantas que, antes, já nos invadiram a imaginação. Consoante os novos destinos da tecnologia, a viagem deverá ser realizada por meio de ondas mentais, numa fenda projetadas, de tal sorte que o protagonista Jed deverá penetrar na mente de um rei maia. No entanto, as coisas não aconteceram como haviam sido previstas e o nosso aventureiro acabou por invadir a mente de um jogado de futebol. O problema é que este deveria ser o ator de um ritual de sacrifício, num dos tempos dessa civilização tão plena de crendices e de permanentes ofertório de vida aos deuses, no sentido de abrandar-lhes o coração: "Como é realmente a sensação de se fazer parte de outra pessoa? Como acordar em total escuridão e perceber que a gente se encontra dentro de uma casa grande e desconhecida..." (p.3489) Não compreendia o que o cercava.
Considerações finais
Além dos ingredientes indispensáveis a uma boa ficção - o recurso da descrição como exposição do espaço; os diálogos, como controladores das tensões dramáticas; a dosagem nas informações, para o descortinar-se pouco a pouco das revelações -, o autor acrescenta ao enredo uma série de usos e costumes, ritos e mitos, por que o leitor possa, enfim, entrar em conta mais direto com a cultura maia.
LIVRO
2012, Nas Cortes do Sol
Brian D´ amato
Geração editorial
2012, 800 Páginas
R$ 59,90


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ler@diariodonordeste.com.br
CARLOS AUGUSTO VIANA
EDITOR
Copilado do Diário do Nordeste

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