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sábado, 17 de março de 2012

Até 60% dos agrotóxicos usados são de médio ou alto risco


Potencial prejuízo ao meio ambiente causado por contaminação no Baixo Jaguaribe foi mapeado por pesquisa do Labomar, da Universidade Federal do Ceará. Foram encontrados 200 tipos diferentes de agrotóxicos na região. Pesquisa recente do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da UFC, concluiu que de 40% a 60% dos agrotóxicos usados em plantações do Baixo Jaguaribe e Litoral de Aracati são de médio e alto risco ambiental. O primeiro inventário sobre os agrotóxicos da região também identificou, em propriedades rurais, 200 tipos diferentes desses produtos. Desses 200, três tipos encontrados têm uso proibido pelo Ministério da Agricultura.

Os estudos de campo foram feitos em propriedades de pequeno, médio e grande porte da região, detalha Rivelino Cavalcante, professor do curso de Ciências Ambientais, do Labomar. “Hoje em dia o pequeno agricultor está usando de forma considerável os agrotóxicos, como não era antes. Em virtude da diminuição das taxas, o produto ficou mais disponível para o produtor”, avalia Cavalcante, coordenador da pesquisa.
Os agrotóxicos de médio e alto risco ambiental, explica o professor, são aqueles que demoram a se degradar, aumentando o tempo de exposição no meio ambiente. Os riscos variam, podendo atacar desde sistemas de organismos vivos até provocar câncer.
Na avaliação de Cavalcante, a pesquisa surge para ajudar na elaboração de políticas públicas rurais que visem diminuir o impacto dos agrotóxicos. “Por exemplo: o lençol freático está sendo contaminado? Ao saber quais os tipos de agrotóxicos usados, é possível monitorá-los”, aponta.
Contaminação
A professora do departamento de Saúde Comunitária da UFC, Raquel Rigotto, lembra que a água que passa pelos perímetros irrigados é a mesma que abastece as famílias. Segundo ela, em amostras de água colhidas em 2010, inclusive da água saída de torneiras, todas estavam contaminadas por agrotóxicos. Em 23 amostras foram encontradas de três a 12 tipos ativos diferentes de agrotóxicos.
O POVO tentou contato na tarde de ontem com a assessoria de imprensa da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), mas não houve retorno até o fechamento da página.
E agora
ENTENDA A NOTÍCIA
A partir do inventário, o Labomar iniciou uma avaliação do risco de contaminação dos recursos hídricos. Pesquisa vem se somar a outras já feitas na região indicando os riscos ao meio ambiente e à saúde pelo uso de agrotóxicos.
Saiba mais
A pesquisa do curso de Ciências Ambientais da UFC teve recursos da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de participação da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).
Em julho de 2010, os ministérios públicos Estadual, Federal e do Trabalho pediram à Justiça Federal o fim da pulverização aérea dos agrotóxicos no perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi. A causa ainda está em tramitação.
Por Thiago Mendes
Copilado do Jornal O Povo on-line

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