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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Dia da pessoa com deficiência: arte e movimento desafiam capacitismo


Neste 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, histórias de brasileiros mostram que a deficiência não define os limites de uma pessoa. Arte, esporte, educação e trabalho aparecem como espaços de expressão, autonomia e transformação, mas também revelam os desafios enfrentados diariamente pelo capacitismo e pela falta de acessibilidade.

Um dos exemplos é o fotógrafo mineiro Luciano Ambrósio, de 57 anos. Morador de Ceilândia, no Distrito Federal, ele perdeu a visão aos 24 anos e encontrou na fotografia uma nova forma de perceber e registrar o mundo. Há cerca de dez anos, descobriu a fotografia inclusiva e passou a utilizar uma câmera com o suporte de tecnologias de acessibilidade.

Luciano utiliza diferentes sentidos para construir suas imagens. Ele observa a textura do chão, a inclinação do terreno e os sons ao redor. Com o auxílio do celular, recebe descrições do que está diante da câmera e, a partir dessas informações, decide o momento de fazer o registro.

O fotógrafo está próximo de realizar outro sonho: publicar o primeiro livro, “Meu olhar”, previsto para novembro. A obra terá 120 páginas, reunindo fotografias e 100 poesias.

Capacitismo ainda faz parte da rotina

Apesar das conquistas, situações de capacitismo continuam presentes no cotidiano. A esposa de Luciano, a cerimonialista Edna Teodoro, conta que já presenciou situações em que outras pessoas se dirigiram a ela para perguntar o que o marido queria, em vez de conversar diretamente com ele.

O capacitismo ocorre quando uma pessoa com deficiência é subestimada ou tratada como incapaz por causa de sua condição. Para combater esse tipo de comportamento, especialistas e representantes da área defendem maior conscientização desde a escola e em campanhas públicas.

A estilista goiana Juliana Santos, de 40 anos, também relata os impactos do preconceito. Ela sofreu ataques na internet relacionados à sua deficiência e afirma que o episódio afetou diretamente sua atividade profissional, provocando cancelamentos e perda de contratos.

Em 12 anos de carreira, Juliana produziu mais de 2.300 vestidos. Segundo dados apresentados por ela, foram 678 peças em 2024, número que caiu para 68 em 2025. Para 2026, até o momento relatado, havia 28 contratos fechados.

Como forma de protesto, a estilista anunciou uma intervenção artística em um vestido, utilizando 200 comentários ofensivos que recebeu nas redes sociais ao longo de dois anos.

Para Juliana, a deficiência não representa sua capacidade profissional. A criatividade e o trabalho desenvolvido ao longo da carreira são, segundo ela, elementos centrais de sua identidade como estilista.

Educação também é espaço de inclusão

Na educação, a professora de Educação Física Carolina Belfort, de 40 anos, mostra como a inclusão pode fazer parte da rotina escolar. Cadeirante, ela trabalha em uma escola pública no Riacho Fundo, no Distrito Federal, onde desenvolve atividades esportivas e de dança com os alunos.

Carolina perdeu o movimento das pernas ainda na infância após um tiro acidental dentro de casa. No primeiro dia de aula, ela costuma incentivar os estudantes a fazer perguntas sobre sua deficiência. Com o tempo, o assunto deixa de ser uma barreira para a convivência.

A professora também lembra que, durante sua própria trajetória escolar, enfrentou dificuldades de inclusão. Segundo ela, professores tinham receio de orientá-la ou de permitir sua participação em determinadas atividades por medo de que se machucasse.

Esporte como autonomia e transformação

A inclusão também está presente no esporte. A funcionária pública e arquivista Daniela Francescutti, de 56 anos, é atleta surda e participa de competições de natação na categoria master.

Desde 2007, a prática esportiva ganhou espaço central em sua rotina. Em 2013, ela começou a participar também de provas em águas abertas e, desde 2021, representa o Distrito Federal em competições nacionais de surdos.

Em 2026, Daniela participou do Open Panamericano, realizado em Guaiaquil, no Equador, e retornou ao Brasil com três medalhas. A delegação brasileira conquistou 24 medalhas na competição.

Para ela, porém, a natação vai além das competições. O esporte também representa um espaço de tranquilidade e bem-estar.

Combate ao capacitismo depende de informação

A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Nascimento, defende que o enfrentamento ao capacitismo passa pelo conhecimento e pela conscientização da sociedade.

Segundo ela, muitas pessoas reproduzem comportamentos capacitistas sem perceber. Por isso, campanhas e ações educativas são apontadas como ferramentas para apresentar o conceito de maneira acessível e estimular mudanças de comportamento.

A representante também destaca a necessidade de considerar diferentes aspectos sociais na elaboração de políticas públicas, já que pessoas com deficiência podem enfrentar diferentes formas de desigualdade simultaneamente.

Mais do que uma data no calendário, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência chama atenção para a necessidade de garantir acessibilidade, respeito, autonomia e oportunidades. As histórias de Luciano, Juliana, Carolina e Daniela mostram diferentes formas de participação social e reforçam que inclusão não significa apenas superar barreiras físicas, mas também transformar atitudes e garantir direitos.

https://sinalnews.com.br/dia-da-pessoa-com-deficiencia-arte-e-movimento-desafiam-capacitismo/

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