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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Brasileiro bate mexicano e é o novo diretor-geral da OMC


O brasileiro Roberto Azevêdo, 55, foi eleito hoje como diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Roberto Azêvedo foi eleito para um mandato de quatro anos na OMC, sendo o primeiro latino-americano a alcançar esse posto  Foto: Agência Brasil

É a primeira vez em que um latino-americano, representante de um país em desenvolvimento, é eleito para um mandato completo de quatro anos.


Na última fase da disputa, Azevêdo derrotou o mexicano Herminio Blanco, 62, e trouxe ao Brasil uma de suas maiores vitórias diplomáticas. A decisão foi tomada em Genebra com a participação dos 159 países que integram a entidade.

Representante permanente do Brasil na OMC desde 2008, Azevedo conta com reputação de hábil negociador. Ele foi chefe de delegação em litígios importantes vencidos pelo Brasil, como nos casos dos subsídios ao algodão contra os EUA e ao açúcar contra a União Europeia (UE).  Participou de quase todas as conferências ministeriais desde o lançamento, em 2001, das negociações de Doha sobre a liberalização do comércio mundial.

Mesmo respeitado em círculos diplomáticos por sua capacidade de construir consenso, Azevêdo foi criticado por seus esforços para levar a OMC a discutir o impacto de flutuações cambiais sobre o comércio.

A presidente Dilma Rousseff e o Itamaraty fizeram campanha intensa pelo brasileiro desde dezembro de 2012. O chanceler Antonio Patriota já recebeu a notícia da vitória.

O placar da votação ainda não foi divulgado. Ontem, a União Europeia decidiu votar em bloco a favor do México, e com isso o Brasil contabilizou ter perdido cerca de 12 votos. Mesmo assim, conforme fontes diplomáticas, os votos mostram que o brasileiro conta com uma grande margem de representatividade.

O resultado será anunciado oficialmente amanhã e a nomeação de Azevêdo será oficializada no dia 14, durante reunião do Conselho Geral da OMC. Ao todo, nove candidatos concorreram à sucessão do francês Pascal Lamy, dono do cargo há oito anos. Azevêdo assume o posto em setembro.

Hoje os três embaixadores que integram a comissão de seleção do novo diretor-geral se reuniram com as delegações do Brasil e do México para antecipar o resultado da disputa.

Histórico

O diplomata começou a carreira no Itamaraty em 1984 e foi o principal assessor econômico do então chanceler Luiz Felipe Lampreia de 1995 a 1997.

Participou, em 2001, da criação da Coordenação-Geral de Contenciosos do Itamaraty, que dirigiu por quatro anos. Em 2005, ele se tornou o chefe do departamento econômico do ministério e, de 2006 a 2008, foi subsecretário geral de assuntos econômicos.

Foi em 2009, quando já estava à frente da representação na OMC, que o órgão autorizou o Brasil a retaliar os EUA pelos subsídios ao algodão.  O Brasil ganhou papel predominante na OMC a partir de 2003, durante o governo Lula (2003-2010), e se tornou um dos maiores negociadores junto da UE, do Japão, da China, da Índia, dos EUA e da Austrália.

O país defende um enfoque gradual para derrubar barreiras comerciais e um grande papel para o governo na regulação do comércio, o que já provocou queixas de países ricos, como os EUA e o Japão, e de companheiros emergentes, como a China e a Coreia do Sul.

Liberalização

Criada em 1995, a OMC (Organização Mundial do Comércio) tem como objetivo a abertura dos mercados comerciais e remover barreiras, tais como os subsídios, tarifas aduaneiras e outras políticas consideradas excessivas, a fim de dar um novo impulso à economia global.

O objetivo declarado da Rodada de Doha, que foi criada em uma cúpula no Qatar em 2001, era desenvolver o comércio para beneficiar os países mais pobres. Mas os 159 países-membros da organização têm falhado em suas
tentativas de chegar a um acordo.

Desde que a crise financeira global de 2008 estourou, o comércio mundial sofreu bastante, crescendo míseros 2% no ano passado, menor aumento anual desde o início da base histórica em 1981 e o segundo menor dado após 2009, quando o comércio diminuiu. A OMC até mesmo cortou sua projeção de crescimento do comércio em 2013 para 3,3%, ante 4,5%, e alertou sobre a ameaça protecionista.

A Europa, fulminada pela recessão, e os EUA, num processo de lenta recuperação, enfrentam dificuldade para impulsionar as exportações por meio de novos acordos comerciais regionais que, segundo alguns especialistas, podem minar a relevância da OMC.

É a primeira vez em que um latino-americano, representante de um país em desenvolvimento, é eleito para um mandato completo de quatro anos. À exceção de um tailandês, em 2002-2005, os diretores-gerais da OMC foram todos europeus.  O diretor-geral da OMC não é realmente eleito, mas nomeado por consenso.

A votação na OMC acontece por meio de consultas sigilosas aos 159 países-membros, que indicam seus favoritos a uma comissão designada pelo secretariado da entidade.

Na próxima etapa da escolha, três dos cinco candidatos são eliminados. Quando restam só dois, a decisão é tomada por consenso entre os países-membros.

Fonte: Folhapress

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