O
brasileiro Roberto Azevêdo, 55, foi eleito hoje como diretor-geral da OMC
(Organização Mundial do Comércio).
Roberto
Azêvedo foi eleito para um mandato de quatro anos na OMC, sendo o primeiro
latino-americano a alcançar esse posto
Foto: Agência Brasil
É
a primeira vez em que um latino-americano, representante de um país em
desenvolvimento, é eleito para um mandato completo de quatro anos.
Na
última fase da disputa, Azevêdo derrotou o mexicano Herminio Blanco, 62, e
trouxe ao Brasil uma de suas maiores vitórias diplomáticas. A decisão foi
tomada em Genebra com a participação dos 159 países que integram a entidade.
Representante
permanente do Brasil na OMC desde 2008, Azevedo conta com reputação de hábil
negociador. Ele foi chefe de delegação em litígios importantes vencidos pelo
Brasil, como nos casos dos subsídios ao algodão contra os EUA e ao açúcar
contra a União Europeia (UE). Participou
de quase todas as conferências ministeriais desde o lançamento, em 2001, das
negociações de Doha sobre a liberalização do comércio mundial.
Mesmo
respeitado em círculos diplomáticos por sua capacidade de construir consenso,
Azevêdo foi criticado por seus esforços para levar a OMC a discutir o impacto
de flutuações cambiais sobre o comércio.
A
presidente Dilma Rousseff e o Itamaraty fizeram campanha intensa pelo
brasileiro desde dezembro de 2012. O chanceler Antonio Patriota já recebeu a
notícia da vitória.
O
placar da votação ainda não foi divulgado. Ontem, a União Europeia decidiu
votar em bloco a favor do México, e com isso o Brasil contabilizou ter perdido
cerca de 12 votos. Mesmo assim, conforme fontes diplomáticas, os votos mostram
que o brasileiro conta com uma grande margem de representatividade.
O
resultado será anunciado oficialmente amanhã e a nomeação de Azevêdo será
oficializada no dia 14, durante reunião do Conselho Geral da OMC. Ao todo, nove
candidatos concorreram à sucessão do francês Pascal Lamy, dono do cargo há oito
anos. Azevêdo assume o posto em setembro.
Hoje
os três embaixadores que integram a comissão de seleção do novo diretor-geral
se reuniram com as delegações do Brasil e do México para antecipar o resultado
da disputa.
Histórico
O
diplomata começou a carreira no Itamaraty em 1984 e foi o principal assessor
econômico do então chanceler Luiz Felipe Lampreia de 1995 a 1997.
Participou,
em 2001, da criação da Coordenação-Geral de Contenciosos do Itamaraty, que
dirigiu por quatro anos. Em 2005, ele se tornou o chefe do departamento
econômico do ministério e, de 2006
a 2008, foi subsecretário geral de assuntos econômicos.
Foi
em 2009, quando já estava à frente da representação na OMC, que o órgão
autorizou o Brasil a retaliar os EUA pelos subsídios ao algodão. O Brasil ganhou papel predominante na OMC a
partir de 2003, durante o governo Lula (2003-2010), e se tornou um dos maiores
negociadores junto da UE, do Japão, da China, da Índia, dos EUA e da Austrália.
O
país defende um enfoque gradual para derrubar barreiras comerciais e um grande
papel para o governo na regulação do comércio, o que já provocou queixas de
países ricos, como os EUA e o Japão, e de companheiros emergentes, como a China
e a Coreia do Sul.
Liberalização
Criada
em 1995, a
OMC (Organização Mundial do Comércio) tem como objetivo a abertura dos mercados
comerciais e remover barreiras, tais como os subsídios, tarifas aduaneiras e
outras políticas consideradas excessivas, a fim de dar um novo impulso à
economia global.
O
objetivo declarado da Rodada de Doha, que foi criada em uma cúpula no Qatar em
2001, era desenvolver o comércio para beneficiar os países mais pobres. Mas os
159 países-membros da organização têm falhado em suas
tentativas
de chegar a um acordo.
Desde
que a crise financeira global de 2008 estourou, o comércio mundial sofreu
bastante, crescendo míseros 2% no ano passado, menor aumento anual desde o
início da base histórica em 1981 e o segundo menor dado após 2009, quando o
comércio diminuiu. A OMC até mesmo cortou sua projeção de crescimento do
comércio em 2013 para 3,3%, ante 4,5%, e alertou sobre a ameaça protecionista.
A
Europa, fulminada pela recessão, e os EUA, num processo de lenta recuperação,
enfrentam dificuldade para impulsionar as exportações por meio de novos acordos
comerciais regionais que, segundo alguns especialistas, podem minar a
relevância da OMC.
É
a primeira vez em que um latino-americano, representante de um país em
desenvolvimento, é eleito para um mandato completo de quatro anos. À exceção de
um tailandês, em 2002-2005, os diretores-gerais da OMC foram todos
europeus. O diretor-geral da OMC não é
realmente eleito, mas nomeado por consenso.
A
votação na OMC acontece por meio de consultas sigilosas aos 159 países-membros,
que indicam seus favoritos a uma comissão designada pelo secretariado da
entidade.
Na
próxima etapa da escolha, três dos cinco candidatos são eliminados. Quando
restam só dois, a decisão é tomada por consenso entre os países-membros.
Fonte:
Folhapress

Nenhum comentário:
Postar um comentário