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terça-feira, 3 de abril de 2012

Cresce incidência de doenças coronarianas


Segundo professor da Uerj, os problemas se manifestam cada vez mais cedo entre a população feminina

As doenças coronarianas já se tornaram uma epidemia no País, alertou o professor de Cardiologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Luiz Antonio de Almeida Campo, ao participar, ontem, da Sessão Científica no Hospital São Mateus. E, se no passado essas doenças costumavam se manifestar somente em mulheres por volta dos 65 anos, obesas e diabéticas, hoje, sua incidência neste segmento é cada vez mais frequente e se verifica antes mesmo da chegada da menopausa, acrescentou o palestrante.


As doenças cardiovasculares são a primeira causa de óbito no mundo e, no Brasil, responsáveis por 30% das mortes.

O médico e professor adiantou também que, hoje, no universo de brasileiros acometidos por essas doenças, 75% são homens e 25%, mulheres. "Mas a incidência no público feminino está se acentuando rapidamente e entre pacientes de menor faixa etária, muitas vezes na plenitude hormonal", explicou, destacando entre as causas dessa ocorrência o sedentarismo, o sobrepeso, o estresse e aumento do colesterol.

"As doenças ateroscleróticas coronárias são as mais prevalecentes no mundo contemporâneo", disse, alertando para os hábitos pouco saudáveis da vida moderna. No País, a maior participação da mulher no mercado de trabalho e suas excessivas responsabilidades como dona de casa são determinantes para que seja, gradativamente, mais acometida. "O estresse da competitividade e a falta de tempo para práticas de exercício físico, pelo acúmulo de funções que desenvolvem, aumentam a incidência dessas patologias entre elas", lembrou o médico.

Hábitos de vida

Para Luiz Antonio Campo, a reversão desse quadro está diretamente associada a mudanças em hábitos de vida. "De nada adiantará avanços científicos ou tecnológicos, se não mudarmos nossa forma de viver", disse o médico, que veio a Fortaleza também como candidato a presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia na eleição que está marcada para este mês. "Nossa preocupação é estimular as campanhas de prevenção", ressaltou, alertando para a importância do diagnóstico e do tratamento o mais cedo possível. "E isso é necessário nos países emergentes como Brasil, China, Rússia e Índia", citou.

A doença aterosclerótica coronariana produz obstrução as artérias e, com isso, o fluxo sanguíneo não se processa de forma satisfatória.

Como consequência, vem o infarto do miocárdio, a lesão do coração e a produção insuficiente do desempenho do órgão (a insuficiência cardíaca). "Esses problemas acompanham o paciente pelo resto da vida, por isso, mesmo que a palavra de ordem é a prevenção, com diagnóstico precoce e melhores tratamentos para evitar o infarto", enfatizou, destacando entre os tratamentos o medicamentoso, o cateter (angioplastia) e cirúrgico (ponte de safena).

A preocupação da classe médica é reduzir os fatores de risco, ou seja, levar a população a adotar precauções para evitar o sedentarismo, o estresse, o tabagismo, o aumento do colesterol e a obesidade. "Queremos ampliar essa discussão com a comunidade de cardiologistas", disse o médico que, hoje pela manhã, irá preferir palestras também no Hospital de Messejana e, amanhã, no Hospital da Unimed.

Já o coordenador do Serviço de Cardiologia do Hospital São Mateus, Cláudio Falcão, enfatizou a importância das sessões científicas - promovidas na primeira segunda-feira de cada mês - como uma forma de propiciar a reciclagem com os profissionais do hospital e de outras instituições. "Nós sabemos que as mulheres estão gradativamente e cada vez mais cedo ingressando nos grupos de riscos de pessoas acometidas por doenças do coração, por isso o São Mateus buscou propiciar o debate sobra questão", ponderou.

FIQUE POR DENTRO

Acúmulo de gordura provoca males cardíacos

A doença arterial coronariana, também chamada de aterosclerose coronariana, é o estreitamento dos vasos que abastecem o coração em decorrência do espessamento da camada interna da artéria.

O mal se desenvolve gradualmente, devido ao acúmulo de gordura, colesterol, cálcio, colágeno e outros materiais sobre a parede das artérias, restringindo o fluxo sanguíneo. Às vezes uma fissura, laceração ou ruptura de uma placa permite que o sangue penetre em seu interior, formando um coágulo que pode crescer, se desprender e obstruir a artéria, ocasionando um infarto. A trombose produzida por uma placa é o principal responsável pelos problemas cardiovasculares súbitos ou agudos.

Os fumantes possuem uma chance 70% maior de desenvolver aterosclerose coronariana. As pessoas que entram em contato com a fumaça do cigarro também têm risco aumentado de desenvolver a doença.

MOZARLY ALMEIDA
REPÓRTER

Copilado do Diário do Nordeste

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