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terça-feira, 10 de abril de 2012

Bons ventos sopram na comunidade do Cumbe


Apesar da liderança atual, o Ceará vai perder a primazia da energia eólica em 2012 para o Rio Grande do Norte
Aracati. A quantidade e sobretudo a qualidade dos ventos que sopram no Ceará, na sua vasta área litorânea, o colocam na liderança da energia eólica no País. No Estado, 17 usinas que estão operando representam 518,9 megawatts (MW) de potência. Os 67 aerogeradores da empresa Bons Ventos Geradora de Energia S/A instalados na comunidade do Cumbe, neste município, fazem parte desse panorama. Sozinhos, são responsáveis pela capacidade de 138,5 MW.

“A capacidade instalada no parque de Aracati, de 138,5 MW, nas 67 turbinas de 2,1MW, cada, representa cerca de 10% da potência para abastecer o Ceará, que é de 1400 MW, conta Luiz Eduardo Moraes, sócio-diretor da Bons Ventos até fevereiro último. Ele ressalta a performance dos ventos alencarinos. “O perfil deles é excelente. Para se ter uma ideia disso, uma usina no Rio Grande do Sul com potência instalada de 150MW produz menos do que os nossos 138,5”.
Apesar dessa excelência, o Ceará deve perder, em 2012, a liderança para o seu maior rival, o vizinho Rio Grande do Norte, mesmo com a instalação de mais 21 parques - 543 MW -, que dobrarão a potência instalada do Estado para 1.062 MW.
A Bons Ventos foi negociada em fevereiro último com a paulista CPFL Energias Renováveis por R$ 1.06 bilhão. Na opinião de Lauro Fiúza, presidente da Servtec Energia, que instalou e operou o parque gerador da Bons Ventos em Aracati e Taíba, “a venda revelou o potencial do setor” e, ainda, a competência técnica de sua empresa, que instalará um parque eólico na Ibiapaba, desta vez em parceria com a Rio Bravo Investimentos.
Morador do Cumbe há 42 anos e diretor do arquivo do Museu Jaguaribano, José Correia Calixto Lima fala com saudosismo de outrora. “Isso aqui era completamente diferente. Não tinha ponte. Você passava com animais. Descarregava a bagagem no barco. Desaparelhava o burro e o cavalo que estivesse trazendo a bagagem e passava no barco com o animal ao lado. Quando ultrapassava o rio, repunha tudo no animal para seguir a viagem”.
Conforme Calixto, as mudanças começaram nos anos 80. “Quando a Cagece chegou para fazer a extração de água no Aracati, desapropriou toda a área preferencial para eles no entorno da duna. Anos depois, chegou a carcinicultura. Por último, “veio a eólica, que contraria algumas coisas, como o direito de ir e vir livremente, sem monitoramento, às dunas, às lagoas”.
Profundos impactos

Doutor em geografia pela Universidade de Barcelona e professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jeovah Meireles entende que “a energia eólica é importante, desde que acompanhada de equidade social e ambiental”. Para ele, da forma como estão sendo implantadas as usinas, está trazendo profundos impactos ambientais ao longo do litoral cearense. “É preciso se analisar e definir áreas adequadas a partir de uma política de governo e não por decisão dos empreendedores”, defende.
Impactos iniciais foram superados
O diretor à época da instalação da empresa Bons Ventos Geradora de Energia, Luiz Eduardo Moraes, conta que, juntamente com a comunidade, foi possível superar os impactos causados durante a instalação do parque eólico do Cumbe.
"Seis meses antes de iniciarmos o empreendimento, começamos a dialogar, não só com a comunidade do Cumbe, onde o parque seria instalado, mas com os moradores do seu entorno, por onde passariam as linhas de transmissão. Reconhecemos o impacto durante a fase de implantação. O movimento dos caminhões transportando o material causou poeira, barulho e perfurações. Entretanto, procuramos minimizar esses problemas. Para se ter uma ideia, tínhamos nossa própria equipe de fiscalização para acompanhar os fornecedores, fazendo com que alguns possíveis danos fossem evitados previamente".
Luiz Eduardo ressalta ainda que o parque eólico ocupa apenas 3% da área onde está implantado e que o acesso das pessoas é livre. "O que fazemos é o monitoramento para evitar, por exemplo, que algum motorista se exceda na bebida e haja algum tipo de acidente no local. Além disso, temos um sistema socioambiental permanente que observa dentre outras coisas o movimento das dunas, das aves migratórias e a qualidade da água".
Fonte: Diário do Nordeste

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